domingo, 25 de abril de 2021

A restauração da paz

Finalmente, o pecado interrompeu a harmonia e a unidade entre a raça
humana e a natureza. Antes de Adão pecar, trabalhava alegremente no jardim do
Éden (Gn 2.15), e andava livremente entre os animais, dando nome a cada um (Gn
2.19,20). Parte da maldição divina após a queda envolvia a inimizade entre a
serpente e Adão e Eva (Gn 3.15), bem como uma nova realidade: o trabalho
produziria suor e labuta (Gn 3.17-19). Antes havia harmonia entre a raça humana
e o meio-ambiente, agora luta e conflito de modo que “toda a criação geme e está
juntamente com dores de parto até agora” (ver Rm 8.22 nota).
A RESTAURAÇÃO DA PAZ. Embora o resultado da queda fosse a destruição da
paz e do bem-estar para a raça humana, e até mesmo para a totalidade do mundo
criado, Deus planejou a restauração do shalom; logo, a história da reconquista da
paz é a história da redenção em Cristo.
(1) Tendo em vista que Satanás deu início à destruição da paz no mundo, o
restabelecimento da paz deve envolver a destruição de Satanás e do seu poder. Por
isso, muitas das promessas do AT a respeito da vinda do Messias eram promessas
da vitória e paz vindouras. Davi profetizou que o Filho de Deus governaria as nações
(Sl 2.8,9; cf. Ap 2.26,27; 19.15). Isaías vaticinou que o Messias reinaria como o
Príncipe da Paz (Is 9.6,7). Ezequiel predisse que o novo concerto que Deus se propôs
estabelecer através do Messias seria um concerto de paz (Ez 34.25; 37.26). E
Miquéias, ao profetizar o nascimento em Belém do rei vindouro, declarou: “E este
será a nossa paz” (Mq 5.5).
(2) Por ocasião do nascimento de Jesus, os anjos proclamaram que a paz de
Deus acabara de chegar à terra (Lc 2.14). O próprio Jesus veio para destruir as obras
do diabo (1Jo 3.8) e para romper todas as barreiras de conflito que tomasse parte
da vida a fim de fazer a paz (Ef 2.12-17). Jesus deu aos discípulos a sua paz como
herança perpétua antes de ir à cruz (Jo 14.27; 16.33). Mediante a sua morte e
ressurreição, Jesus desarmou os principados e potestades hostis, e assim
possibilitou a paz (Cl 1.20; 2.14,15; cf. Is 53.4,5). Por isso, quando se crê em Jesus
Cristo, se é justificado mediante a fé e se tem paz com Deus (Rm 5.1). A mensagem
que os cristãos proclamam são as boas-novas da paz (At 10.36; cf. Is 52.7).
(3) Apenas saber que Cristo veio como o Príncipe da Paz não garante que a paz
se tornará automaticamente parte da vida; para experimentar a paz há que se estar
unido com Cristo numa fé ativa. O primeiro passo é crer no Senhor Jesus Cristo.
Quando assim faz, a pessoa é justificada pela fé (Rm 3.21-28; 4.1-13; Gl 2.16) e
assim tem paz com Deus (Rm 5.1). Juntamente com a fé, deve-se andar em
obediência aos mandamentos divinos a fim de viver-se em paz (Lv 26.3,6). Os
profetas do AT declaram frequentemente que não há paz para os ímpios (Is 57.21;
59.8; Jr 6.14; 8.11; Ez 13.10, 16). A fim de que os crentes conheçam sua paz
perpétua, Deus lhes tem dado o Espírito Santo, que começa a operar em nós um
aspecto do fruto, que é a paz (Gl 5.22; cf. Rm 14.17; Ef 4.3). Com a ajuda do Espírito,