4) No mundo, os crentes são forasteiros e peregrinos (Hb 11.13; 1Pe 2.11). (a) Não
devem pertencer ao mundo (Jo 15.19), não se conformar com o mundo (ver Rm
12.2 nota), não amar o mundo (2.15), vencer o mundo (5.4), odiar a iniquidade do
mundo (ver Hb 1.9 nota), morrer para o mundo (Gl 6.14) e ser libertos do mundo
(Cl 1.13; Gl 1.4). (b) Amar o mundo (cf. 2.15) corrompe nossa comunhão com Deus
e leva à destruição espiritual. É impossível amar o mundo e ao Pai ao mesmo tempo
(Mt 6.24; Lc 16.13; ver Tg 4.4 nota). Amar o mundo significa estar em estreita
comunhão com ele e dedicar-se aos seus valores, interesses, caminhos e prazeres.
Significa ter prazer e satisfação naquilo que ofende a Deus e que se opõe a Ele (ver
Lc 23.35 nota). Note, é claro, que os termos “mundo” e “terra” não são sinônimos;
Deus não
proíbe o amor à terra criada, i.e., à natureza, às montanhas, às florestas, etc.
(5) De acordo com 2.16, três aspectos do mundo pecaminoso são abertamente
hostis a Deus: (a) “A concupiscência da carne”, que inclui os desejos impuros e a
busca de prazeres pecaminosos e a gratificação sensual (1Co 6.18; Fp 3.19; Tg 1.14).
(b) “A concupiscência dos olhos”, que se refere à cobiça ou desejo descontrolado
por coisas atraentes aos olhos, mas proibidas por Deus, inclusive o desejo de olhar
para o que dá prazer pecaminoso (Êx 20.17; Rm 7.7). Nesta era moderna, isso inclui
o desejo de divertir-se contemplando pornografia, violência, impiedade e
imoralidade no teatro, na televisão, no cinema, ou em periódicos (Gn 3.6; Js 7.21;
2 Sm 11.2; Mt 5.28). (c) “A soberba da vida”, que significa o espírito de arrogância,
orgulho e independência autossuficiente, que não reconhece Deus como Senhor,
nem a sua Palavra
como autoridade suprema. Tal pessoa procura exaltar, glorificar e promover a si
mesma, julgando não depender de ninguém (Tg 4.16).
(6) O crente não deve ter comunhão espiritual com aqueles que vivem o sistema
iníquo do mundo (ver Mt 9.11 nota; 2Co 6.14 nota) deve reprovar abertamente o
pecado deles (Jo 7.7; Ef 5.11 nota), deve ser sal e luz do mundo para eles (Mt
5.13,14), deve amá-los (Jo 3.16), e deve procurar ganhá-los para Cristo (Mc 16.15;
Jd 22,23).
(7) Da parte do mundo, o verdadeiro cristão terá tribulação (Jo 16.33), ódio (Jo
15.19), perseguição (Mt 5.10-12) e sofrimento em geral (Rm 8.22,23; 1Pe 2.19-21).
Satanás, usando as atrações do mundo, faz um esforço incessante para destruir a
vida de Deus dentro do cristão (2Co 11.3; 1Pe 5.8).
(8) O sistema deste mundo é temporário e será destruído por Deus (Dn 2.34,35, 44;
2Ts 1.7-10; 1Co 7.31; 2Pe 3.10 nota; Ap 18.2)
segunda-feira, 2 de maio de 2022
O crente e a santificação
Santificação
1Pe 1.2 “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito,
para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: graça e paz vos sejam
multiplicadas”.
Santificação (gr. hagiasmos) significa “tornar santo”, “consagrar”, “separar do
mundo” e “apartar-se do pecado”, a fim de termos ampla comunhão com Deus e
servi-lo com alegria (ver também o estudo A SEPARAÇÃO ESPIRITUAL DO CRENTE).
(1) Além do termo “santificar” (cf. 1Ts 5.23), o padrão bíblico da santificação é
expresso em termos tais como “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração,
e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento” (Mt 22.37), “irrepreensíveis em
santidade” (1Ts 3.13), “aperfeiçoando a santificação” (2Co 7.1), “a caridade de um
coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida” (1Tm 1.5),
“sinceros e sem escândalo algum” (Fp 1.10), “libertados do pecado” (Rm 6.18),
“mortos para o pecado” (Rm 6.2), “para servirem à justiça para santificação” (Rm
6.19), “guardamos os seus mandamentos” (1Jo 3.22) e “vence o mundo” (1Jo 5.4).
Tais termos descrevem a operação do Espírito Santo mediante a salvação em
Cristo, pela qual Ele nos liberta da escravidão e do poder do pecado (Rm 6.1-14),
nos separa das práticas pecaminosas deste mundo atual, renova a nossa natureza
segundo a imagem de Cristo, produz em nós o fruto do Espírito e nos capacita a
viver uma vida santa e vitoriosa de dedicação a Deus (Jo
17.15-19,23; Rm 6.5, 13, 16, 19; 12.1; Gl 5.16, 22,23; ver 2Co 5.17 nota).
(2) Esses termos não subentendem uma perfeição absoluta, mas a retidão moral
de um caráter imaculado, demonstrada na pureza do crente diante de Deus, na
obediência à sua lei e na inculpabilidade desse crente diante do mundo (Fp 2.14,15;
Cl 1.22; 1Ts 2.10; cf. Lc 1.6). O cristão, pela graça que Deus lhe deu, morreu com
Cristo e foi liberto do poder e domínio do pecado (Rm 6.18); por isso, não precisa
nem deve pecar, e sim obter a necessária vitória no seu Salvador, Jesus Cristo.
Mediante o Espírito Santo, temos a capacidade para não pecar (1Jo 3.6), embora
nunca cheguemos à condição de estarmos livres da tentação e da possibilidade do
pecado.
(3) A santificação no AT foi a vontade manifesta de Deus para os israelitas; eles
tinham o dever de levar uma vida santificada, separada da maneira de viver dos
povos à sua volta (ver Êx 19.6 nota; Lv 11.44 nota; 19.2 nota; 2Cr 29.5 nota). De
igual modo a santificação é um requisito para todo crente em Cristo. As Escrituras
declaram que sem santificação ninguém verá o Senhor (Hb 12.14).
(4) Os filhos de Deus são santificados mediante a fé (At 26.18), pela união com
Cristo na sua morte e ressurreição (Jo 15.4-10; Rm 6.1-11; 1 Co 130), pelo sangue
de Cristo (1Jo 1.7-9), pela Palavra (Jo 17.17) e pelo poder regenerador e santificador
Imoralidade
fornicação, adultério e
impureza. Nossa dedicação à vontade de Deus, pela fé, abre o caminho para
recebermos a bênção do domínio próprio: “temperança” (Gl 5.22-24).
(5) Termos bíblicos descritivos da imoralidade e que revelam a extensão desse mal.
(a) Fornicação (gr. porneia). Descreve uma ampla variedade de práticas sexuais,
pré ou extramaritais. Tudo que significa intimidade e carícia fora do casamento é
claramente transgressão dos padrões morais de Deus para seu povo (Lv 18.6-30;
20.11,12, 17, 19-21; 1Co 6.18; 1Ts 4.3). (b) A lascívia (gr. aselgeia) denota a ausência
de princípios morais, principalmente o relaxamento pelo domínio próprio que leva
à conduta virtuosa (ver 1Tm 2.9 nota, sobre a modéstia). Isso inclui a inclinação à
tolerância quanto a paixões pecaminosas ou ao seu estímulo, e deste modo a
pessoa torna-se partícipe de uma conduta antibíblica (Gl 5.19; Ef 4.19; 1Pe 2.2,18).
(c) Enganar, i.e., aproveitar-se de uma pessoa, ou explorá-la (gr. pleonekteo, e.g.,
1Ts 4.6), significa privá-la da pureza moral que Deus pretendeu para essa pessoa,
para a satisfação de desejos egoístas. Despertar noutra pessoa estímulos sexuais
que não possam ser correta e legitimamente satisfeitos, significa explorá-la ou
aproveitar-se dela (1Ts 4.6; Ef 4.19). (d) A lascívia ou cobiça carnal (gr. epithumia)
é um desejo carnal imoral que a pessoa daria vazão se tivesse oportunidade (Ef
4.22; 1Pe 4.3; 2Pe 2.18; ver Mt 5.28 nota).
terça-feira, 18 de janeiro de 2022
Pode ser exemplo.
conforme os padrões bíblicos. O pastor deve ser alguém cuja fidelidade a Cristo
pode ser tomada como padrão ou exemplo (cf. 1Co 11.1; Fp 3.17; 1Ts 1.6; 2Ts 3.7,9;
2Tm 1.13).
(3) O Espírito Santo acentua grandemente a liderança do crente no lar, no
casamento e na família (3.2,4,5; Tt 1.6). Isto é: o obreiro deve ser um exemplo para
a família de Deus, especialmente na sua fidelidade à esposa e aos filhos. Se aqui
ele falhar, como “terá cuidado da igreja de Deus?” (3.5). Ele deve ser “marido de
uma [só] mulher” (3.2). Esta expressão denota que o candidato ao ministério
pastoral deve ser um crente que foi sempre fiel à sua esposa. A tradução literal do
grego em 3.2 (mias gunaikos, um genitivo atributivo) é “homem de uma única
mulher”, i.e., um marido sempre fiel à sua esposa.
(4) Consequentemente, quem na igreja comete graves pecados morais,
desqualifica-se para o exercício pastoral e para qualquer posição de liderança na
igreja local (cf. 3.8-12). Tais pessoas podem ser plenamente perdoadas pela graça
de Deus, mas perderam a condição de servir como exemplo de perseverança
inabalável na fé, no amor e na pureza (4.11-16; Tt 1.9). Já no AT, Deus
expressamente requereu que os dirigentes do seu povo fossem homens de
elevados padrões morais e espirituais. Se falhassem, seriam substituídos (ver Gn
49.4 nota; Lv 10.2 nota; 21.7,17 notas; Nm 20.12 nota; 1Sm 2.23 nota; Jr 23.14 nota;
29.23 nota).
(5) A Palavra de Deus declara a respeito do crente que venha a adulterar que “o
seu opróbrio nunca se apagará” (Pv 6.32,33). Isto é, sua vergonha não
desaparecerá. Isso não significa que nem Deus nem a igreja perdoará tal pessoa.
Deus realmente perdoa qualquer pecado enumerado em 3.1-13, se houver tristeza
segundo Deus e arrependimento por parte da pessoa que cometeu tal pecado. O
que o Espírito Santo está declarando, porém, é que há certos pecados que são tão
graves que a vergonha e a ignomínia (i.e., o opróbrio) daquele pecado
permanecerão com o indivíduo mesmo depois do perdão (cf. 2Sm 12.9-14).
(6) Mas o que dizer do rei Davi? Sua continuação como rei de Israel, a despeito do
seu pecado de adultério e de homicídio (2Sm 11.1-21; 12.9-15) é vista por alguns
como uma justificativa bíblica para a pessoa continuar à frente da igreja de Deus,
mesmo tendo violado os padrões já mencionados. Essa comparação, no entanto, é
falha por vários motivos.
(a) O cargo de rei de Israel do AT, e o cargo de ministro espiritual da igreja de Jesus
Cristo, segundo o NT, são duas coisas inteiramente diferentes. Deus não somente
permitiu a Davi, mas, também a muitos outros reis que foram extremamente
ímpios e perversos, permanecerem como reis da nação de Israel. A liderança
espiritual da igreja do NT, sendo esta comprada com o sangue de Jesus Cristo,
requer padrões espirituais muito mais altos.
(b) Segundo a revelação divina no NT e os padrões do ministério ali exigidos, Davi
não teria as qualificações para o cargo de pastor de uma igreja do NT. Ele teve
diversas esposas, praticou infidelidade conjugal, falhou grandemente no governo