segunda-feira, 29 de novembro de 2021

O arrebatamento da igreja

1Ts 4.16,17 “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de
arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão
primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente
com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre
com o Senhor. ”
O termo “arrebatamento” deriva da palavra raptus em latim, que significa
“arrebatado rapidamente e com força”. O termo latino raptus equivale a harpazo
em grego, traduzido por “arrebatado” em 4.17. Esse evento, descrito aqui e em 1Co
15, refere-se à ocasião em que a igreja do Senhor será arrebatada da terra para
encontrar-se com Ele nos ares. O arrebatamento abrange apenas os salvos em
Cristo.
(1) Instantes antes do arrebatamento, ao descer Cristo do céu para buscar a sua
igreja, ocorrerá a ressurreição dos “que morreram em Cristo” (4.16). Não se trata
da mesma ressurreição referida em Ap 20.4, a qual somente ocorrerá depois de
Cristo voltar à terra, julgar os ímpios e prender Satanás (Ap 19.11—20.3). A
ressurreição de Ap 20.4 tem a ver com os mártires da tribulação e possivelmente
com os santos do AT (ver Ap 20.6 nota).
(2) Ao mesmo tempo que ocorre a ressurreição dos mortos em Cristo, os crentes
vivos serão transformados; seus corpos se revestirão de imortalidade (1Co
15.51,53). Isso acontecerá num instante, “num abrir e fechar de olhos” (1Co 15.52).
(3) Tanto os crentes ressurretos como os que acabaram de ser transformados serão
“arrebatados juntamente” (4.17) para encontrar-se com Cristo nos ares, ou seja:
na atmosfera entre a terra e o céu.
(4) Estarão literalmente unidos com Cristo (4.16,17), levados à casa do Pai, no céu
(ver Jo 14.2,3 notas), e reunidos aos queridos que tinham morrido (4.13-18).
(5) Estarão livres de todas as aflições (2Co 5.2,4; Fp 3.21), de toda perseguição e
opressão (ver Ap 3.10 nota), de todo domínio do pecado e da morte (1Co 15.51-
56); o arrebatamento os livra da “ira futura” (ver 1.10 nota; 5.9), ou seja: da grande
tribulação.
(6) A esperança de que nosso Salvador logo voltará para nos tirar do mundo, a fim
de estarmos “sempre com o Senhor” (4.17), é a bem-aventurada esperança de
todos os redimidos (Tt 2.13). É fonte principal de consolo para os crentes que
sofrem (4.17,18; 5.10).
(7) Paulo emprega o pronome “nós” em 4.17 por saber que a volta do Senhor
poderia acontecer naquele período, e comunica aos tessalonicenses essa mesma
esperança. A Bíblia insiste que anelemos e esperemos contínua e confiadamente a
volta do nosso Senhor (cf. Rm 13.11; 1Co 15.51,52; Ap 22.12,20).
(8) Quem está na igreja mas não abandona o pecado e o mal, sendo assim infiel a
Cristo, será deixado aqui, no arrebatamento (ver Mt 25.1 nota; Lc 12.45 nota). Os
tais ficarão neste mundo e farão parte da igreja apóstata (ver Ap 17.1 nota; ver o
estudo O PERÍODO DO ANTICRISTO), sujeitos à ira de Deus.
(9) Depois do arrebatamento, virá o Dia do Senhor, um tempo de sofrimento e ira
sobre os ímpios (5.2-10; ver 5.2 nota). Seguir-se-á a segunda fase da vinda de Cristo,
quando, então, Ele virá para julgar os ímpios e reinar sobre a terra (ver Mt 24.42,44

A Glória de Deus revelada em Jesus Cristo

Quando Isaías falou da vinda
de Jesus Cristo, profetizou que nEle seria revelada a glória de Deus para que toda
a raça humana a visse (ver Is 40.5). Tanto João (Jo 1.14) como o escritor aos Hebreus
(Hb 1.3) testificam que Jesus Cristo cumpriu essa profecia. A glória de Cristo era a
mesma glória que Ele tinha com seu Pai antes que houvesse mundo (Jo 1.14; 17.5).
A glória do seu ministério ultrapassou em muito a glória do ministério do AT (2Co
3.7-11). Paulo chama Jesus “o Senhor da glória” (1Co 2.8), e Tiago o chama “nosso
Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória” (Tg 2.1).
Repetidas vezes, o NT refere-se ao vínculo entre Jesus Cristo e a glória de Deus.
Seus milagres revelavam a sua glória (Jo 2.11; 11.40-44). Cristo transfigurou-se em
meio a “uma nuvem luminosa” (Mt 17.5), onde Ele recebeu glória (cf. 2Pe 1.16-19).
A hora da sua morte foi a hora da sua glorificação (Jo 12.23,24; cf. 17.4,5). Subiu ao
céu em glória (cf. At 1.9; 1Tm 3.16), agora está exaltado em glória (Ap 5.12,13), e
um dia voltará “sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória” (Mt 24.30; cf.
25.31; Mc 14.62; 1Ts 4.17).
A GLÓRIA DE DEUS NA VIDA DO CRENTE. Como a glória de Deus relaciona-se
ao crente pessoalmente?
(1) Concernente à glória celestial e majestosa de Deus, é bem verdade que
ninguém pode contemplar essa glória e sobreviver. Sabemos que ela existe, mas
não a vemos. Deus habita em luz e glória inacessíveis, que nenhum ser humano
pode vê-lo face a face (1Tm 6.16).
(2) A glória shekinah de Deus, no entanto, era conhecida do seu povo nos
tempos bíblicos. No decurso da história, até o presente, sabe-se de crentes que
tiveram visões de Deus, semelhantes às de Isaías (Is 6) e Ezequiel (Ez 1), embora
isso não fosse comum naqueles tempos, nem agora. A experiência da glória de
Deus, no entanto, é algo que todos os crentes terão na consumação da salvação,
quando virmos a Jesus face a face. Seremos levados à presença gloriosa de Deus
(Hb 2.10; 1Pe 5.10; Jd 24), compartilharemos da glória de Cristo (Rm 8.17,18) e
receberemos uma coroa de glória (1Pe 5.4). Até mesmo o nosso corpo ressurreto
terá a glória do Cristo ressuscitado (1Co 15.42,43; Fp 3.21).(3) De um modo mais
direto, o crente sincero experimenta a presença espiritual de Deus. O Espírito Santo
nos aproxima da presença de Deus e do Senhor Jesus (2Co 3.17; 1Pe 4.14). Quando
o Espírito opera poderosamente na igreja, através das suas manifestações
sobrenaturais (1Co 12.1-12), o crente experimenta a glória de Deus no seu meio,
i.e., um sentimento da majestosa presença de Deus, semelhante ao que sentiram
os pastores nos campos de Belém quando nasceu o Salvador (Lc 2.8-20).
(4) O crente que abandona o pecado e que repudia a idolatria pode ser cheio da
glória de Cristo (ver Jo 17.22 nota), bem como do Espírito da glória (1Pe 4.14); na
realidade, uma das razões de Jesus vir ao mundo foi para encher de glória os
crentes (Lc 2.29-32). Como salvos por Cristo Jesus, devemos viver a nossa vida
inteira para a glória de Deus, a fim de que Ele seja glorificado em nós (Jo 17.10; 1Co
10.31; 2Co 3.18).