domingo, 8 de dezembro de 2019

Alegorismo

O alegorismo tem suas raízes no platonismo e no alegorismo judaico, dois de seus defensores são Orígenes (185-254) escritor, teólogo e professor e   Clemente de Alexandria que faziam parte da escola de Alexandria. Orígenes defendia que a interpretação era dividida em três aspectos o literal, ao nível do   corpo, o moral, ao nível da alma, e o alegórico, ao nível do espírito. Clemente por outro lado defendia cinco pontos a serem usados para interpretação de um   texto: o histórico, o doutrinário, o profético, o filosófico e

Hermenêutica

Sendo a hermenêutica a responsável pelo estudo das regras de interpretação bíblica não seria possível deixa-la de fora de um trabalho como este, já   que a escatologia trabalha em meio a muitas profecias e passagens de difícil compreensão, por isso precisaremos conhecer os dois principais métodos de    interpretação para que tomemos um caminho coerente nas Escrituras, e acima de tudo não a deturpemos para provar teorias infundadas.

 

A Trindade

A Bíblia afirma, de forma categórica, em suas páginas: “Há um só Deus” (1Co 8.6; Ef 4.6). Entretanto,
esse Deus único se manifesta em três pessoas divinas: O Deus Pai, o Deus Filho e o Deus Espírito Santo
(Mt 28.19). A palavra “Trindade” não se encontra na Bíblia, mas foi primeiramente empregada por
Tertuliano, um dos mais importantes teólogos do período Patrístico, para descrever o que as Escrituras
ensinam sobre a natureza do Deus trino. A Bíblia afirma que o único Deus verdadeiro existe como uma
Trindade: O Pai, o Filho e o Espírito Santo. Estas três pessoas, que formam uma única divindade, são
distinguíveis uma da outra na mesma natureza, na mesma essência, e se relacionam entre si numa
comunhão ininterrupta. A Trindade é uma comunhão eterna que já existia muito antes de todas as coisas,
portanto, não é uma invenção de Tertuliano; ele apenas usou pela primeira vez o termo “Trindade”.
A doutrina da Trindade existe para descrever a plenitude da divindade, que se fundamenta na tríplice
manifestação de Deus, nos eventos narrados no Antigo e Novo Testamento. Desde a criação observamos
alguns verbos e pronomes que se referem a mais de uma pessoa: (1) na criação do homem: “Façamos o
homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gn 1.26); (2) na confusão das línguas: “Eia,
desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro” (Gn 11.7); (3) na
visão de Isaías, quando do seu chamamento, lemos que Deus perguntou: “A quem enviarei, e quem há de
ir por nós?” Estas citações no Antigo Testamento definem mais de uma pessoa na Trindade presente em
ação.
No Novo Testamento, a doutrina da Trindade é claramente explícita nas seguintes ocasiões: (1) a
tríplice manifestação divina é evidenciada por ocasião do batismo de Jesus (Mt 3.16-17); (2) pela
menção das Três Pessoas da Trindade na grande ordenança de Jesus acerca do batismo dos salvos
(Mt 28.19); (3) na referência das Três Pessoas da Trindade na bênção apostólica (2Co 13.13) e (4) pela
menção das Três Pessoas divinas nos ensinos de Cristo e Paulo em várias outras passagens do Novo
Testamento, que revelam claramente a doutrina da Trindade.
A santíssima Trindade não é três deuses como ensina a teoria conhecida como “triteísmo”. A Trindade
não é três manifestações de uma só pessoa como ensina a teoria conhecida como “sabelianismo”. A
Trindade também não é três elementos essenciais de um Deus como ensina a teoria conhecida como
“swedenborgianismo”. Entretanto qual é a teoria correta que define a Trindade? O Credo Atanasiano
define muito bem a santíssima Trindade dizendo: “Adoramos um só Deus em Trindade e uma Trindade
em unidade, não confundindo as pessoas e nem dividindo a substância”. A Trindade, portanto, são três
pessoas eternamente “interconstituídas”, inter-relacionadas, “interexistentes” e inseparáveis dentro de um
único ser e de uma única substância ou essência.
Em 1Co 12.4-6, Paulo distingue de forma clara as três pessoas da Trindade, dizendo: “Ora, há
diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o
mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos”.
Em Ef 4.4-6, Paulo ainda reforça o argumento, dizendo: “Há um só corpo e um só Espírito, como
também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só
batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos”.
CONCLUSÃO
Em Jo 17.3, o Senhor Jesus Cristo nos deu o resumo de toda a teologia cristã, dizendo: “E a vida
eterna é esta: que conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste”.

Os atributos Morais de Deus

Os atributos morais de Deus são: santidade, retidão, justiça, amor, misericórdia e graça.
SANTIDADE: A santidade de Deus é seu atributo mais exaltado e destacado, pois expressa a
majestade de sua natureza e caráter moral. A santidade de Deus poderia se chamar também de “atributo
moral enfático de Deus”. A Bíblia descreve como Deus é incomparável em santidade, dizendo: “Não há
santo como o SENHOR; porque não há outro além de ti; e Rocha não há, nenhuma, como o nosso Deus”
(1Sm 2.3). Os seres viventes proclamam dia e noite a santidade de Deus, dizendo: “Santo, Santo, Santo é
o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, que é e que há de vir” (Ap 4.8). Os serafins também
fazem isso, dizendo: “Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória”
(Is 6.3).
RETIDÃO: A retidão de Deus é a imposição de leis e exigências retas, podendo ser chamada de
“santidade legislativa”. Nesse atributo vemos revelado o empenho de Deus pela santidade que sempre o
impele a fazer e a exigir o que é reto (Sl 145.17; 116.5). Todos os requisitos exigidos por Deus aos
homens são absolutamente retos em seu caráter. Davi escreveu sobre a retidão de Deus, dizendo: “Bom e
reto é o SENHOR; pelo que ensinará o caminho aos pecadores” (Sl 25.8).
JUSTIÇA: A justiça de Deus é a execução das penalidades impostas por suas leis; essa pode ser
chamada de “santidade judicial”. Nesse atributo vemos revelado seu ódio contra o pecado, uma
indignação tal que, livre de toda paixão ou capricho, sempre o impele a ser justo e a exigir o que é justo
(Sf 3.5; Dt 32.4). Todos os tratos de Deus com os homens se baseiam na justiça absoluta. A Bíblia fala da
retidão e justiça de Deus, dizendo: “Ele mesmo julgará o mundo com justiça; julgará os povos com
retidão” (Sl 9.8).
AMOR: O amor é aquele atributo de Deus pelo qual ele se inclina a buscar os melhores interesses de
suas criaturas (Jo 3.16; Mt 5.44-45). O cristianismo é realmente a única religião que exibe o ser supremo
como amor (1Jo 4.8). Os deuses dos pagãos são irascíveis e odiosos, que necessitam ser constantemente
apaziguados. Não é assim o nosso Deus. Seu amor, qual ponte, transpõe o abismo do tempo. Permanece
firme sob as mais pesadas pressões. As pressões e o peso do pecado do homem não têm quebrado a
ponte do amor, que se reflete na longanimidade de Deus. Paulo escreveu sobre a demonstração prática do
amor de Deus pelos pecadores, dizendo: “Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo
morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8).
MISERICÓRDIA: A misericórdia de Deus é aquele princípio e qualidade que descreve sua
disposição e ação em relação aos pecaminosos e sofredores, sustando penalidades merecidas e aliviando
os angustiados. A Bíblia fala da eternidade da misericórdia de Deus, dizendo: “Mas a misericórdia do
SENHOR é de eternidade a eternidade, sobre aqueles que o temem, e a sua justiça, sobre os filhos dos
filhos” (Sl 103.17). Com base nisso, o profeta Jeremias descreve a infinita misericórdia do Senhor,
dizendo: “As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos; porque as suas
misericórdias não têm fim. Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade” (Lm 3.22-23).
GRAÇA: A graça de Deus é seu favor não merecido, contrário ao merecimento, mediante o qual a
penalidade merecida e consequente é suspensa e todas as bênçãos positivas são concedidas ao crente
arrependido. O salmista Davi descreveu tão bem a plenitude da graça de Deus, dizendo: “Mas tu, Senhor,
és um Deus cheio de compaixão, e piedoso, e sofredor, e grande em benignidade e em verdade”
(Sl 86.15). O apóstolo Paulo também escreveu sobre a extensão da graça de Deus, dizendo: “Porque a
graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tt 2.11).

Onisciência

A onisciência de Deus é um termo teológico que se refere ao conhecimento e
sabedoria infinitos de Deus e sua capacidade de conhecer perfeitamente todas as coisas. Calvino definiu
a onisciência como “Aquele atributo mediante o qual Deus conhece a si mesmo e a todas as outras coisas
em um só e simplicíssimo ato eterno”. Davi escreveu sobre a onisciência de Deus, dizendo: “Tu conheces
o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento. Cercas o meu andar e o meu
deitar; e conheces todos os meus caminhos. Sem que haja uma palavra na minha língua, eis que, ó
SENHOR, tudo conheces. Tu me cercaste em volta e puseste sobre mim a tua mão. Tal ciência é para mim
maravilhosíssima; tão alta, que não a posso atingir” (Sl 139.2-6).