domingo, 25 de novembro de 2018

A apostasia!!!!!!

Hb 3.12 “Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e
infiel, para se apartar do Deus vivo”.
A apostasia (gr. apostasia) aparece duas vezes no NT como substantivo (At 21.21;
2Ts 2.3) e, aqui em Hb 3.12, como verbo (gr. aphistemi, traduzido “apartar”). O
termo grego é definido como decaída, deserção, rebelião, abandono, retirada ou
afastar-se daquilo a que antes se estava ligado.
(1) Apostatar significa cortar o relacionamento salvífico com Cristo, ou apartar-se
da união vital com Ele e da verdadeira fé nEle (ver o estudo FÉ E GRAÇA). Sendo
assim, a apostasia individual é possível somente para quem já experimentou a
salvação, a regeneração e a renovação pelo Espírito Santo (cf. Lc 8.13; Hb 6.4,5);
não é simples negação das doutrinas do NT pelos inconversos dentro da igreja
visível. A apostasia pode envolver dois aspectos distintos, embora relacionados
entre si: (a) a apostasia teológica, i.e., a rejeição de todos os ensinos originais de
Cristo e dos apóstolos ou dalguns deles (1Tm 4.1; 2Tm 4.3); e (b) a apostasia moral,
i.e., aquele que era crente deixa de permanecer em Cristo e volta a ser escravo do
pecado e da imoralidade (Is 29.13; Mt 23.25-28; Rm 6.15-23; 8.6-13).
(2) A Bíblia adverte fortemente quanto à possibilidade da apostasia, visando tanto
nos alertar do perigo fatal de abandonar nossa união com Cristo, como para nos
motivar a perseverar na fé e na obediência. O propósito divino desses trechos
bíblicos de advertência não deve ser enfraquecido pela idéia que afirma: “as
advertências sobre a apostasia são reais, mas a sua possibilidade, não”. Antes,
devemos entender que essas advertências são como uma realidade possível
durante o nosso viver aqui, e devemos considerá-las um alerta, se quisermos
alcançar a salvação final. Alguns dos muitos trechos do NT que contêm
advertências são: Mt 24.4,5,11-13; Jo 15.1-6; At 11.21-23; 14.21,22; 1Co 15.1,2; Cl
1.21-23; 1Tm 4.1,16; 6.10-12; 2Tm 4.2-5; Hb 2.1-3; 3.6-8,12-14; 6.4-6; Tg 5.19,20;
2Pe 1.8-11; 1Jo 2.23-25.
(3) Exemplos da apostasia propriamente dita acham-se em Êx 32; 2Rs 17.7-23; Sl
106; Is 1.2-4; Jr 2.1-9; At 1.25; Gl 5.4; 1Tm 1.18-20; 2Pe 2.1,15,20-22; Jd 4,11-13; ver
o estudo O PERÍODO DO ANTICRISTO, para comentários sobre a apostasia que,
segundo a Bíblia, ocorrerá dentro da igreja professa nos últimos dias desta era.
(4) Os passos que levam à apostasia são: (a) O crente, por sua falta de fé, deixa de
levar plenamente a sério as verdades, exortações, advertências, promessas e
ensinos da Palavra de Deus (Mc 1.15; Lc 8.13; Jo 5.44,47; 8.46).
(b) Quando as realidades do mundo chegam a ser maiores do que as do reino
celestial de Deus, o crente deixa paulatinamente de aproximar-se de Deus através
de Cristo (4.16; 7.19,25; 11.6).
(c) Por causa da aparência enganosa do pecado, a pessoa se torna cada vez mais
tolerante do pecado na sua própria vida (1Co 6.9,10; Ef 5.5; Hb 3.13). Já não ama a
retidão nem odeia a iniquidade (ver 1.9 nota).
(d) Por causa da dureza do seu coração (3.8,13) e da sua rejeição dos caminhos de
Deus (v. 10), não faz caso da repetida voz e repreensão do Espírito Santo (Ef 4.30;
1Ts 5.19-22; Hb 3.7-11).
(e) O Espírito Santo se entristece (Ef 4.30; cf. Hb 3.7,8); seu fogo se extingue (1Ts
5.19) e seu templo é profanado ( 1Co 3.16). Finalmente, Ele afasta-se daquele
que antes era crente (Jz 16.20; Sl 51.11; Rm 8.13; 1Co 3.16,17; Hb 3.14).
(5) Se a apostasia continua sem refreio, o indivíduo pode, finalmente, chegar ao
ponto em que não seja possível um recomeço. (a) Isto é, a pessoa que no passado
teve uma experiência de salvação com Cristo, mas que deliberada e continuamente
endurece seu coração para não atender à voz do Espírito Santo (3.7-19), continua
a pecar intencionalmente (10.26) e se recusa a arrepender-se e voltar para Deus,
pode chegar a um ponto sem retorno em que não há mais possibilidade de
arrependimento e de salvação (6.4-6; Dt 29.18-21 nota; 1 Sm 2.25 nota; Pv 29.1
nota). Há um limite para a paciência de Deus (ver 1 Sm 3.11-14; Mt 12.31,32; 2 Ts
2.9-11; Hb 10.26-29,31; 1 Jo 5.16). (b) Esse ponto de onde não há retorno, não se
pode definir de antemão. Logo, a única salvaguarda contra o perigo de apostasia
extrema está na admoestação do Espírito: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não
endureçais os vossos corações ( 3.7,8,15; 4.7).
(6) É próprio salientar que, embora a apostasia seja um perigo para todos os que
vão se desviando da fé (2.1-3) e que se apartam de Deus (6.6), ela não se consuma
sem o constante e deliberado pecar contra a voz do Espírito Santo (ver Mt 12.31,
nota sobre o pecado contra o Espírito Santo).
(7) Aqueles que, por terem um coração incrédulo, se afastam de Deus (3.12),
podem pensar que ainda são verdadeiros crentes, mas sua indiferença para com as
exigências de Cristo e do Espírito Santo e para com as advertências das Escrituras
indicam o contrário. Uma vez que alguém pode enganar-se a si mesmo, Paulo
exorta todos aqueles que afirmam ser salvos: "Examinai-vos a vós mesmos se
permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos" (ver 2 Co 13.5 nota).
(8) Quem, sinceramente, preocupa-se com sua condição espiritual e sente no seu
coração o desejo de voltar-se arrependido para Deus, tem nisso uma clara
evidência de que não cometeu a apostasia imperdoável. As Escrituras afirmam com
clareza que Deus não quer que ninguém pereça (2 Pe 3.9; cf. Is 1.18,19; 55.6,7) e
declaram que Deus receberá todos que já desfrutaram da graça salvadora, se
arrependidos, voltarem a Ele (cf. Gl 5.4 com 4.19; 1 Co 5.1-5 com 2 Co 2.5-11; Lc
15.11-24; Rm 11.20-23; Tg 5.19,20; Ap 3.14-20; note o exemplo de Pedro, Mt 16.16;
26.74,75; Jo 21.15-22).

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